terça-feira, 23 de julho de 2013

Cineasta: Sérgio Bianchi


Há algum tempo atrás eu zapeava entre os canais de televisão, quando me deparei com uma sequência chocante onde a história de uma geração era derrubada por uma empresa privada em algum canto do Brasil. Logo depois desta sequência, uma outra acabava me impressionando muito: uma mulher indo a feira fazer suas compras e sendo tomada pelo medo de pedintes enlouquecidos atrás de qualquer migalha. Fiquei realmente impressionada pelo estilo da filmagem, além da abordagem sobre todos os problemas sociais do país, feita de forma chocante e genial. Apaixonada, fui atrás do nome do diretor Sergio Bianchi, paranaense de Ponta Grossa e que se destaca como um dos maiores cineastas do Brasil. Entre todos os filmes de Sergio, destaco alguns que são imperdíveis: 

Mato Eles? (1985) 


O filme documentário narra uma séria denúncia sobre a morte de tribos indígenas no Paraná, além da exploração ilegal de madeira feita pela FUNAI numa reserva ambiental que deveria ser a casa dos índios. Nos deixa com indignação e tristeza de ver o que era feito na época e o que ainda está sendo feito nos dias de hoje. Está na íntegra no YouTube no segundo quadro acima. 

Divina Providência (1983)


Um cuspe em formato de curta metragem. Neste filme, um mendigo tenta desesperadamente virar gente perante ao Estado. Outros problemas são colocados em nossa cara como o caos na saúde, filas intermináveis, descaso dos políticos, muitos funcionários para pouco trabalho, desrespeito com o ser humano e sucateamento dos serviços públicos.

Romance (1988)


Como de costume o cineasta nos joga na cara os problemas sociais do Brasil de forma que neste filme, toda a dramática realidade de quem vive na orla da estrada que liga Paraná e São Paulo. Bianchi toca em três preocupações básicas do momento: a degeneração moral, da qual a corrupção política é o sintoma mais explícito na área pública, a degradação da qualidade de vida (isto é, a sistemática violação da ecologia), e o verdadeiro mercado sexual que se fortaleceu na esteira da Aids. Tudo isso ambientado na morte de um jornalista que iria publicar uma matéria onde vários políticos e empresas seriam denunciadas. Nisso, três amigos da vítima fazem com que o filme tome um rumo cada vez mais sombrio e mostrando a realidade do país nos anos 80: triste. 

Outros filmes de Sergio Bianchi que merecem ser assistidos: 
Quanto Vale ou é por Quilo? (2005)
Os Inquilinos (2009)
Cronicamente Inviável (2000) 

Fica dica para quem gosta muito do cinema "cabeça" nacional. 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Estilo - Pattie Boyd

George não é meu Beatle favorito, mas com certeza o mais "profundo". Também era o que tinha a esposa mais bonita e cheia de estilo. No clipe de "Something", música de George Harrison que está no último disco dos Beatles, Abbey Road (1969), sua esposa Pattie Boyd rouba a cena logo nos primeiros versos da canção. Usando uma jaquetinha, um lenço comprido amarrado ao pescoço e um coque alto no cabelo com leves fios caídos, ela chega mostrando que é fashionista dos anos 60. No close em seu rosto também vemos uma maquiagem forte e delicada, onde se destaca os olhos e o olhar quase angelical de Pattie. 
Patricia Anne Boyd (Taunton, 17 de Março de 1944) é uma ex-modelo e fotógrafa britânica. Pattie foi uma modelo de sucesso durante a década de 1960 e 70, aparecendo na capa de várias revistas de moda como a versão britânica e italiana da Vogue.1, o que explica seu olhar para a moda. Claro que as outras esposas "beatle" também se destacam com seu estilo, mas Pattie sem dúvida nos inspira até hoje com suas fotografias. 

Maquiagem destacando os olhos + conjunto casual cheio de estilo 

Franja + óculos vintage + vestido de cores + George Harrison com estes óculos

Maquiagem destacando os olhos + cabelo com volume 70's

Adorava um vestidinho curto!

Vestido super leve + sandália

Lembra muito a Rita Lee, não? Amamos seu estilo Pattie!




segunda-feira, 8 de abril de 2013

BLOGS E SITES DE FILMES CLÁSSICOS, ANTIGOS E ALTERNATIVOS

http://filmesantigoscult.blogspot.com.br/ 

http://cinnemaclassico.blogspot.com.br/ 

http://filmesclassicosanos80.blogspot.com.br/ 

http://filmescomlegenda.tv/fcl/category/classico/ 

http://cinemacultdownloads.blogspot.com.br/ 


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

MARATONA DE FILMES

Esse final de semana fiz uma maratona de filmes, passaram vários clássicos no TC Cult e Premium. O TCM também fez uma grande homenagem à musa Marilyn Monroe, e apresentou 4 filmes em sequência. Que bom que todo o final de semana fosse assim.


A maratona começou com "Nunca Fui Santa (Bus Stop, 1956)", onde Marilyn faz o papel de uma dançarina de bar, que sonha em ser atriz em Hollywood. Enquanto ela canta (bem desafinada), um rapaz metido a cowboy de rodeio (ogro, crianção e briguento) se apaixona por ela, e quer se casar de qualquer jeito. O roteiro é fraco e os atores tem uma atuação exageradamente ruins. Ela por vezes, parece forçada e cheia de caras e bocas que não condizem com a personagem. O final é fraco e pouquíssimo elaborado, vale a pena assistir somente pela beleza da musa na tela.  


Depois, (re)assisti ao clássico "Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953)". Atuação bem fraca, mas forte da Marilyn, porém fica apagada com a grande atuação (e ótimas frases!) da Jane Russel. Ela incorpora o papel brilhantemente. O filme vem com uma mensagem forte capitalista e como a maioria dos filmes daquela época mostra o lado feminino que só quer dinheiro e jóias. Marilyn consegue até fazer com que esse tipo de pensamento fique "mais atrativo", digamos. 


Em "O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl, 1957)", Marilyn já está com feições de maturidade, o rosto e o corpo estão diferentes dos primeiros filmes, o que faz com que sua atuação também mude: tem um ar mais sério e menos infantil (traduzindo, neste filme de boba ela não tem nada). A história é um pouco mais rica, o roteiro é bem amarrado e não tem tantas cenas cansativas e sem porquê, como em outros filmes dela. Na realidade este filme lembra muito "A Princesa e o Plebeu", com Audrey Hepburn, onde temos um filme bobo, mas com mais sentimento. O príncipe é incorporado bem pelo muso do cinema britânico da época, Laurence Olivier. 


Assisti pela primeira vez o filme "Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968). Fiquei impressionada devido à grande história do filme, eu realmente tinha um certo preconceito por ter visto somente a versão de 2001 da história. O cenário lembra muito Star Wars, com o mesmo tipo de roupa e tal. O ator principal  Charlton Heston, faz o clássico galã que pode tudo, passando por diversos perigos sem um arranhão. Mesmo assim a história é bacana e me lembrou muito o 1984, na questão de que nós humanos vamos mesmo destruir tudo, porque somos muito imbecis, hehe. Um grande filme!


Encerrando este post, falo sobre o filme "Marcas do Destino (The Mask, 1985)". Um roteiro bonito, imagens legais. A história fala sobre a vida de Rock Dannis, que vive com sua mãe (interpretada pela ótima atriz, e eu não sabia, Cher). O rapaz viveria uma vida simples e normal se não tivesse nascido com o rosto deformado e se sua mãe não fosse drogada e irresponsável. Em todo o filme, vemos uma troca de experiências entre os dois, cada um aprendendo com o outro através de lições de amor e amizade. Bom, se trata de um clássico Hollywoodiano, adaptação de uma história real, mas bem bom de olhar. 

terça-feira, 22 de março de 2011

Artista: Ida Maria







Quem é?

Ida Maria Børli Sivertsen (13 de julho de 1984, Noruega) é uma cantora e guitarrista de rock, conhecida normalmente como Ida Maria. Ela nasceu e cresceu em Nesna, um pequena cidade do condado de Nordland, Noruega. Atualmente, vive em Estocolmo, Suécia.

Obteve notável sucesso no seu país natal em 2007, após ganhar dois concursos nacionais para artistas desconhecidos, Zoom urørt 2006 e Urørtkonkurransen 2007, e fazer consideráveis concertos musicais no Festival Anual da Indústria da Música Norueguesa, chamado by:Larm, nos anos de 2007 e 2008. Seus singles "Oh My God" e "Stella" foram muito tocados na emissora de rádio norueguesa NRK P3.

Sua popularidade expandiu-se até o Reino Unido, onde apareceu no programa musical Later with Jools Holland, foi entrevistada por The Times e participou do Festival de Glastonbury.

Participou, ainda, de vários festivais, incluindo o BT Digital Music Awards 2008, onde chegou a concorrer pela a categoria de melhor artista de Rock/Indie. Em fevereiro de 2009, um trecho de seu single "Oh My God" foi usado em uma promoção da popular série americana Gossip Girl. Ida Maria sofre de uma patologia neurológica conhecida como sinestesia que a faz ver cores quando ouve música.

Clipes:

Oh My God - http://www.youtube.com/watch?v=naQSB1Ozyds

I like you so much better when you're naked - http://www.youtube.com/results?search_query=Ida+Maria&aq=f

Queen of the world - http://www.youtube.com/watch?v=J4TN2sgxvLo

Stella - http://www.youtube.com/watch?v=zd1vZv6j27s

Drive away of my heart - http://www.youtube.com/watch?v=1hokjw86Dk8



segunda-feira, 21 de março de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Com a voz: Audrey Hepburn





Que a Audrey Hepburn é minha musa e que eu amo todos o seus filmes e cabelo, roupas, e personalidade, todos sabem. Mas então, aí vem uma novidade. A voz dessa mulher também serve aos filmes como um espetáculo além de sua maravilhosa interpretação. Esta coletânea reúne todas as músicas interpretadas pela atriz em seus diversos papéis apaixonantes do cinema.
Segue a lista:

Isn't it Romantic?
Música de Richard Rodgers, letra de Lorenz Hart, do filme Sabrina (1954)
La vie en rose
Música de Louiguy, letra de Édith Piaf, do filme Sabrina (1954)
Yes! We have no bananas
Música de Irving Cohn e Frank Silver, do filme Sabrina (1954)
Funny Face
Letra de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1927), do filme Cinderela em Paris (1957)
How long has this been going on?
Letra de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1928), do filme Cinderela em Paris (1957)
Bonjour Paris
Música de Roger Edens e Leonard Gershe (1957), do filme Cinderela em Paris (1957)
Let's kiss and make up
Letra de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1927), do filme Cinderela em Paris (1957)
He loves and she loves
Letras de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1927), do filme Cinderela em Paris (1957)
On how to be lovely
Letra e música de Roger Edens (1957), do filme Cinderela em Paris (1957)
Clap yo' Hands
Letra de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1926), do filme Cinderela em Paris (1957)
S Wonderful
Letra de Ira Gershwin, música de George Gershwin (1927), do filme Cinderela em Paris (1957)
Moon river
Música de Henry Mancini, do filme Bonequinha de Luxo (1961)
Moon river
Letra de Johnny Mercer, música de Henry Mancini, do filme Bonequinha de Luxo (1961)
The Flower Market
Música de Frederick Loewe, do filme My fair lady (1964)
Wouldn't it be loverly
Música de Frederick Loewe, letra de Alan Jay Lerner, do filme My fair lady (1964)
Show Me
Música de Frederick Loewe, letra de Alan Jay Lerner, do filme My fair lady (1964)

Link para Download: http://rapidshare.com/#!download|267l34|165780868|Audrey_Hepburn_-_cancoes.zip|47774

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

500 Dias Com Ela







Não sou apaixonada por comédias americanas românticas. Na realidade acho uma tremenda falta de criatividade por parte dos roteiristas, ficar sempre e apenas no clássico "boy meets girl", onde então definem se 1) o casal fica junto; ou 2) o casal se separa e cada um segue seu rumo. Bem, "500 Dias Com Ela", segue esse roteiro manjado, porém, nenhum filme com a atriz/cantora Zooey Deschanel pode ser desperdiçado.
Nesta história, conhecemos Tom (Joseph Gordon-Levitt, o famoso rapaz de "10 Coisas que eu Odeio em Você") que trabalha em uma empresa fabricante de cartões comemorativos. Por pequenos detalhes percebemos que Tom está em busca do amor de sua vida. Em seu ambiente de trabalho, ele conhece a linda Summer (Deschanel). Mesmo engatando um relacionamento, Summer possui um grave "defeito": ela não acredita em amor e não gosta de relacionamentos sérios.
Tentando fingir que nada disso é importante, já que para Tom o que importa é estar com Summer (não importa em quais condições), o relacionamento inicia aparentemente sem pressão, como ela prefere. Mas de repente, ela termina com Tom, deixando-o desesperado.
Ele então passa a lembrar os momentos que passou ao lado de Summer. E é aí que entram as maiores lições do fillme. "500 Dias Com Ela" cria uma visão honesta ainda que trágica sobre o amor. Ele mostra uma visão dos relacionamentos diferente, divertida e inteligente.
Para encerrar essa dica, deixo aqui a frase inicial do filme: "O filme a seguir é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você Jenny Beckman. Vaca". Sensibilidade romântica mais contemporânea, impossível.

Veja o Trailer aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=PsD0NpFSADM

Trilha sonora também vale uma atenção especial. Regada a Smiths, Joy Division, Pixies, She and Him, Regina Spektor, Carla Bruni, entre outros. Baixe aqui: http://www.megaupload.com/?d=JG3MG47F

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Afinal, o que não querem as mulheres?



Nunca mais havia assistido na televisão um programa tão bom quanto a minissérie transmitidas em 2010, "Afinal, o que querem as mulheres?". Mesmo com poucas produções nessa estética teatral, a Rede Globo mostra que ainda é possível criar séries de textos inusitados e linguagens muito mais ninteressantes ao público.
Criada pelo mesmo diretor de sucessos como "Hoje é Dia de Maria" e "Capitu", durante cada episódio vimos a ousadia que pode sim dar certo. O trabalho do diretor Luiz Fernando de Carvalho, veio junto com o artista Michel Melamed, que atuou como André Newmann, protagonista. A série conta a história de um psicólogo que está preparando sua tese de doutorado para responder a questão freudiana, título do programa.
Por estar completamente afundado em seus estudos, ele acaba por perder seu grande amor, Lívia. Depois de apresentar sua tese, Newmann faz um grande sucesso com seu livro e se aproxima de muitas mulheres, porém, nenhuma o ajuda a esquecer seu grande amor.
Com um humor sagaz e refinado e closes diferentes de câmeras, "Afinal o que querem as mulheres?" entrou para o hall das séries mais bem feitas e produzidas. A série também se destaca pela impecável trilha sonora e frases dignas de livros best-selleers. Totalmente apaixonante. Para quem ainda não, segue abaixo links para conhecer e assistir no canal do Youtube. Saboreie à vontade.

No Youtube: PRIMEIRO EPISÓDIO

Blog André Newmann: LINK

FRASES DO SERIADO

"Eu quero um homem que me faça esquecer dos outros, e logo em seguida me faça esquecer dele mesmo."

"Eu quero um homem que me entenda. E que me explique (...)"

"O amor quando olhou pra ti, achou seu significado.. e se perdeu..."

"O amor é incapaz de dizer a capacidade de amar."

"Na minha vida encontrarei milhares de corpos femininos. Desses milhares, desejarei algumas centenas, mas dessas centenas de mulheres, estarei sempre amando só uma. E por que essa e não outra? O que me fará ter medo de perdê-la? Que parte desse corpo, que gesto dessa mulher, que palavra? O jeito de levar a mão à cintura? Uma mecha de cabelo que cai sobre a testa? O livro que lê sozinha na praia? São necessários muitos acasos e uma teia de coincidências, para que eu a encontre. Enquanto isso não acontece, estou condenado a buscá-la. Em estado de suspensão, com o espírito confuso, flutuando como o mar, soprando como o vento. Sem verdades, nem palavra."

"É de dar vergonha tanto amor, esse delirio. Você me emociona, parece feita de terra menina selvagem. Mais menina, mais selvagem vulcão por isso ao seu lado faz calor o amor. Queria te mostrar como é violento você existir, o amor é o fascinio recíproco de duas pessoas por aquilo que elas tem mais secreto."

"Como acaba o amor? O amor que acaba retira-se pra um outro mundo como um estrondo que deixa de ressoar, ninguém sabe nada a respeito, só os outros."

"O que importa quantos amores você tem? Se nenhum deles te dará o Universo?"

"Amor é o fascínio de duas pessoas por aquilo que elas tem de mais secreto."

"A pior coisa que um homem pode imaginar, é saber que a mulher sabe que ele nunca vai satisfazer e desvendar todos os desejos da mulher, pois cada beijo é um beijo, e cada cheiro é um cheiro. Tudo é o primeiro pra cada momento. E o pior: sempre o próximo homem da vida vai realizar o seus desejos mais desejados de toda sua vida com ela. Afinal quem entende as mulheres?"

TRILHA SONORA

Nome à pessoa - Michel Melamed (tema de abertura)

A whiter shade of pale - Procol Harum

100 DAYS, 100 NIGHTS - Sharon Jones & The Dap-Kings

MAKE IT WIT CHU - Queens Of The Stone Age

DI GUE DING DING – Michel Legrand

ROCKAFELLER SKANK - Fatboy Slim


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Perfeição de Sebastian Krüger









O artista plástico Sebastian Krüger além de viciado em rock n' roll é extremista, chegando ao ponto da perfição absoluta de seus retratos. O cara é mega conceituado em todo o mundo e tem como maiores fãs os retratados.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Protesto

Tanta história que você acaba conhecendo...
você sempre achou que sabia de tudo,
mas sempre tem o outro lado da história.

Conversas atrás dos seus sentidos, palavras ao pé do ouvido,
risadas que você pensou ser só com você... e então vemos como somos toscos.
Pq fazemos essa ideia de romantismo barato,
se nada nunca aconteceu da maneira que você criou?

Meu cérebro insiste.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Eu sou fã do Raulzito, mas confesso que deixei de ouvir já faz um tempo.
Várias questões influenciaram isso, inclusive o fato de que agora todo o dia conhecemos uma banda nova. É difícil ficar ouvindo as mesmas coisas sempre. Mas existe uma das músicas clichês dele, que traz uma letra sensacional. É um amadurecimento incrível como um poeta, na minha opinião.
Agora deixo ela falar por si.

Ouro de Tolo

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Na generalidade, é claro, [as pessoas] representam o papel que a sociedade espera delas: casam, trabalham, têm filhos, fundam um lar, votam, tentam mostrar-se perfeitas e respeitar as leis. Mas cada uma delas - homems, mulheres, crianças - possui uma vida secreta da qual raramente falam e que quase nunca chegam a revelar. E esta vida secreta, para cada um de nós, encontra-se povoada de fantasias ardentes, necessidades incriveis e desejos sufocantes Que não são vergonhosos em si, mas que nos ensinaram a considerar como tal...

Sanders

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós,
onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração,
pois a vida está nos olhos de quem saber ver."

Do lindo Gabriel garcía Marquez.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Coleção de coisas novas

Eu sei que eu não sou mais uma na coleção
nem que eu seja mais que um vinil
com pó, sem pó
arranhado já
sem capa
sem plástico.

Eu sei que eu não sou mais uma na coleção
nem que eu seja mais que um livro
com flor, sem flor
rasgado já
sem capa
sem letras.

Eu sei que não sou mais uma na coleção
nem que eu seja mais que uma música
com som, sem som
mudo, já
sem nota
não toca.

Eu quero ser mais uma na coleção
com beijo, sem beijo
faz tempo já
o traço de um carinho
mesmo que seja só num abraço.

terça-feira, 25 de março de 2008

Alain de Botton

"... Eu me desnudo emocionalmente quando confesso minha carência – que estarei perdido sem você, que não sou necessariamente a pessoa independente que tentei aparentar. Na verdade, não passo de um fraco, cuja noção dos rumos ou do significado da vida é muito restrita. Quando choro e lhe conto coisas que, confio, serão mantidas em segredo, coisas que me levarão à destruição, caso terceiros tomem conhecimento delas, quando vou a festas e não me entrego ao jogo da sedução porque reconheço que só você me interessa, estou me privando de uma ilusão há muito acalentada de invulnerabilidade. Me torno indefeso e confiante como a pessoa no truque circense, presa a uma prancha sobre a qual um atirador de facas exercita sua perícia e as lâminas que eu mesmo forneci passam a poucos centímetros da minha pele. Eu permito que você assista a minha humilhação, insegurança e tropeços. Exponho minha falta de amor-próprio, me tornando, dessa forma, incapaz de convencer você (seria realmente necessário?) a mudar de atitude. Sou fraco quando exibo meu rosto apavorado na madrugada, ansioso ante a existência, esquecido das filosofias otimistas e entusiasmadas que recitei durante o jantar. Aprendi a aceitar o enorme risco de que, embora eu não seja uma pessoa atraente e confiante, embora você tenha a seu dispor um catálogo vasto de meus medos e fobias, você pode, mesmo assim, me amar..."

segunda-feira, 24 de março de 2008

Estar vivo provoca receios incessantes. E delícias incessantes também. Eu, embora não pareça, muitas vezes fico bichinho assustado e inseguro, lutando bravamente contra um complexo de inferioridade e uma autocrítica que me persegue desde que me entendo por gente. Quando estou assim, frágil, o medo é de tudo: de não ser justa comigo ou com alguém, de não enxergar as pistas, de brigar por causas erradas. E em outros tantos momentos eu sei exatamente o que eu quero e defendo isso veementemente; uma leoa. Paradoxo total, eu, você, todos nós.