quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Eu sou fã do Raulzito, mas confesso que deixei de ouvir já faz um tempo.
Várias questões influenciaram isso, inclusive o fato de que agora todo o dia conhecemos uma banda nova. É difícil ficar ouvindo as mesmas coisas sempre. Mas existe uma das músicas clichês dele, que traz uma letra sensacional. É um amadurecimento incrível como um poeta, na minha opinião.
Agora deixo ela falar por si.

Ouro de Tolo

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

As vezes meus medos se espalham
Feito uma criança em pleno suor
Tem dias em que meus medos chegam sem pedir licença
Acham que desse jeito é melhor

Imagino então uma cerca elétrica ao meu redor
Mas o desespero não me deixa relaxar
É como se milhões de facas fosse me atingir de qualquer maneira
Em segundos todos os fantasmas se aproximam
Não sentem a minha eletricidade

Meu cabo de energia cansa de desligar
Fico a mercê das lágrimas
Saber que eu poderia ter algum amor perdido entre escombros
Me faz chorar de emoção e horror

Sem fui assim.
Não sei se algum dia isso vai parar
Mas sinceramente,
Ser inerte aos sentimentos
Não é pra mim.

Mesmo as vezes querendo não chorar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Não quero saber se o dia acaba
Mas me interessa saber onde começa a noite

Não fale comigo com palavras desentendidas
Estas palavras banais

Não quero saber onde começa o mundo
me entristece saber que o céu termina

Me diz até onde é você
me diz até quando será nós

Deixa apenas o silêncio falar
se não consigo deixar o silêncio em paz

fico sem pensar.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Quando dois leões se encontram

Primeiro vem o cheiro, o cheiro estranho de quem não quer dividir nada
Depois vem os olhares de quem quer saber o motivo, a razão, o porquê de estar na mesma área
Ai começam a pensar em rugir, e rugem por dentro com um raiva que nunca se viu
Mas os gritos ficam por dentro, as mordidas, arranhões, ficam por dentro

Porque os leões sabem ser reis
E por mais que um queira morder e comer o outro
Eles sabem o seu lugar, e sabem que a natureza permite dividir o espaço
Aí descobrem que até existem coisas em comum, que as patas são as mesmas
E que precisam conviver em uma suposta "harmonia" para não estragar a cadeia alimentar

E os leões se despedem sem alegria, mas com a vontade de que nunca voltem a dividir a mesma área, o mesmo ar, para que possam rugir sozinhos, nem que seja de alegria por não ter arrancado nada... mordido nada...

Porque leões, mesmo sendo leões preferem não se ferir.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Todas as artes são consistentes de beleza.
A admiração está presente em todas elas.
E quanto mais a arte é entendida, maior ela é.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Para que uma janela tão grande,
Se os meus olhos só conseguem enxergar sempre um mesmo parâmetro?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Como uma frase
destrói um sonho mas não o amor
Acabo escolhendo viver um dia de cada vez
e a euforia se desfaz

Como dormir pedindo pra acordar de outro jeito
parar de sentir esse furacão

Como é que eu faço pra cuspir os meus segredos
se tudo que eu faço
é deixar que tudo vá embora
escorra, caindo e me deixando aqui
só com meus medos

Aqui ficamos nós
vivendo sempre de qualquer maneira
Arrastando os lençóis no chão
deixando pra trás essa sujeira
Como se todos os nossos dias
simplesmente passassem em vão

Mais um dia eu pinto meu sonho em você.
Só mais um dia.
Ah... um dia.

Quem sou eu?

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Duda Rocha
Aspirante a jornalista, vocalista das Cabernettes, apaixonada e feliz! :)
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